SOBRE-FORMA

Sem hierarquias artificiais, sem complexos de superioridade e de inferioridade, o Sem Forma assume como seu um velho propósito: evidenciar a relação visceral que a Filosofia mantém com o universo Não-Filosófico. Acreditamos que esta coexistência de múltiplas formas de ver e de dizer mundo entrelaçam-se, sendo justamente nesses cruzamentos, nessas interferências, que se dá lugar ao pensamento. Um pensamento como criação, que nada mais quer dizer do que um pensar «com», isto é, sempre na companhia «de». É, pois, em nome da criação particular destes modos do pensar, desde o artístico ao científico, que há, do nosso ponto de vista, espaço para falar de um tecido de correspondências entre eles.
Não temos dúvidas de que é uma necessidade de toda a criação filosófica e não-filosófica cruzar e ser cruzada, capturar e ser capturada. Com efeito, reconhece-se no não-filosófico a brecha, o não-pensado, que legitima o que ainda há por pensar na Filosofia. É justamente a isto que o Sem Forma se propõe, sem, com isso, cair no simples descritivismo ou na estéril dialética das opiniões.